Inovação com propósito: o caminho para o impacto de longo prazo por Ebiliane Lima

30/07/2025

WaM

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    “A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo”, essa citação do escritor e professor Peter Drucker é o que guia o trabalho inovador de Ebiliane Lima, Coordenadora de Inovação e P&D da Comgás. Para ela, a inovação é uma prática estratégica que está profundamente conectada ao negócio e que exige olhar sistêmico para gerar valor tangível, sustentável e escalável.

             “Eu sempre fui movida por uma inquietação natural, pela curiosidade e pelo desejo constante de aprimorar processos e entregar valor real. Percebi que essa postura, muitas vezes intuitiva, já refletia um comportamento inovador e uma busca por soluções que fazem a diferença no dia a dia”, inicia ela no WaM Talks deste mês.

    Ebiliane começou sua carreira profissional atuando em projetos de transformação digital, alinhada à sua formação em software e hardware pela Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) e FATEC São Paulo. Com o tempo, passou a compor esse olhar para metodologias reconhecidas de inovação, envolvendo equipes multidisciplinares para cocriar soluções com impacto concreto.

    Ela destaca que sempre enxergou o conceito de forma ampla, abrangendo desde a inovação incremental até a inovação disruptiva.

    “Mesmo atuando diretamente com tecnologia, eu defendia a importância de revisitar os processos e promover a melhoria contínua, entendendo que nem toda inovação precisa ser radical para transformar”.

    Atualmente, mesmo diante de mudanças inevitáveis e da urgência de determinados assuntos, Ebiliane acredita que esse entendimento desde o início foi fundamental para seguir inovando de forma consistente e sem grandes rupturas.

         “Com a prática, consolidou-se em mim a ideia de que inovar é, acima de tudo, compreender o contexto em que se está inserido. O momento da organização, os desafios reais e as oportunidades que podem gerar impacto tangível. Inovação com propósito transforma o que existe, cria algo novo quando necessário e só se sustenta quando entrega valor de forma escalável e aderente às necessidades e a  cultura da empresa”, explica ela.

    Cultura organizacional e medição de impacto

    Apesar de ter essa consciência sobre mudanças e tendências, Ebiliane reconhece que o ritmo acelerado da transformação tecnológica exige aprendizado constante e adaptação rápida para evitar a obsolescência. Além de que esse pode ser considerado um ponto crítico para inovar atualmente.

    “Definir a inovação como um processo contínuo e sistêmico, e não apenas como uma iniciativa isolada ou pontual é um desafio diário, principalmente com a velocidade da mudança. Isso demanda uma estrutura, governança sólida e, principalmente, uma cultura que permita a experimentação e a tolerância ao erro. Inovar com liberdade criativa, mas mantendo a responsabilidade e o foco em resultados mensuráveis se torna mais difícil sem uma cultura organizacional. É o que eu chamo de equilíbrio entre exploração e execução”.

    Além disso, Ebiliane ressalta que comunicar o valor da inovação de maneira clara e conectada a todas as áreas, especialmente as mais técnicas ou reguladas, pode ser desafiador. Porém, é essencial para ter adesão e promover o alinhamento interno. 

    E está diretamente ligada à medição de impacto. É preciso  ter paciência, métricas claras e pessoas para avaliar o retorno e guiar os investimentos, algo alinhado aos conceitos de ‘Innovation Accounting’, por exemplo, propostos por Dan Thomas e Esther Góes”.

    Ferramentas digitais e jornadas de inovação

    Com relação aos projetos de inovação que têm orgulho de ter participado, Ebiliane cita três:

    • A implementação de ferramentas digitais para automação de processos internos;
    • A estruturação de jornadas de inovação mais robustas; e
    • A aplicação de IA generativa para acelerar o desenho de projetos.

    “Todos esses projetos transformaram dores reais em soluções concretas e impactantes. O primeiro resultou em ganhos operacionais relevante e melhorias na experiência de colaboradores e clientes. O segundo fortaleceu a tomada de decisões estratégicas, conectando diferentes áreas, parceiros externos e dados. E, no último, atuei como uma espécie de ‘mão humana ampliada’, no conceito do ‘centauro’, em que tecnologia e expertise se complementaram”.

    Para ela, essas conquistas mostraram que a Inovação Corporativa eficaz combina método, colaboração e foco em resultados que realmente mudam realidades.

    Inovação com propósito e clareza

    Ao ser perguntada sobre recomendações, Ebiliane afirma:

    “Comece simples, mas com clareza e propósito. Inovação não é realizar tudo de uma vez, mas construir uma base sólida e sustentável. Estabeleça uma governança mínima, ouça as pessoas certas e invista energia nas prioridades mais estratégicas”. 

    E complementa:

              “Envolva a liderança desde o início, e não apenas como patrocinadora, mas como a protagonista da mudança. Transparência é essencial! Compartilhe suas experiências, pois nem tudo dará certo, mas cada descoberta deve ser fonte de aprendizado e evolução”.

    Para as empresas que estão começando, Ebiliane traz três dicas para inovar com propósito:  (1) escolher um problema real, para gerar resultados rápidos e construir confiança interna; (2) investir nas pessoas, pois a inovação acontece por meio delas; (3) e buscar parcerias, já que a inovação colaborativa amplia perspectivas e enriquece o processo.

    O futuro da inovação corporativa

    O futuro começa agora, e a questão socioambiental é um dos temas mais relevantes e urgentes do momento. Para Ebiliane, a expectativa é que, nos próximos anos, a inovação corporativa esteja mais conectada à resolução dos grandes desafios da sociedade, especialmente os ligados às crises climáticas e sociais.

    “Acredito que as empresas estarão em ecossistemas colaborativos com fronteiras fluidas entre interno e externo, startups, academias e mercado, em uma cultura aberta à experimentação contínua”.

    E finaliza:

    “A inovação será parte do core business, não uma área isolada com dados. A cultura de propósito e impacto social vai deixar de ser um diferencial e se tornar um requisito básico. Acredito que essa mudança tornará a inovação transversal, presente em cada decisão e processo. É o que apontam estudos como os da MIT Sloan Management Review, que indicam a inovação sustentável e colaborativa como caminho para as empresas que querem prosperar no longo prazo.”